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A atuação do nutricionista na equipe multidisciplinar

Atualizado: 8 de fev. de 2023


A atuação do nutricionista na equipe multidisciplinar

Imagem: Van Gogh, Os comedores de batatas


Quando se fala em nutricionista, é muito comum que nos venha à mente uma imagem pré-formada do profissional, bem como do atendimento. Mas, hoje eu vim te contar um pouquinho sobre como nós atuamos na equipe multidisciplinar em saúde mental.


Uma coisa que é importante entendermos é que a abordagem nutricional vai se diferenciar, de acordo com a realidade de cada paciente, mas todas elas têm algo em comum: a qualidade de vida. E, ao contrário do que se pensa, essa qualidade de vida nada tem a ver com dietas restritivas, mas com mudanças que auxiliem o indivíduo a realizar atividades básicas do cotidiano, a ter uma melhor relação com a comida, a cuidar e respeitar seu corpo e, o mais importante, que sejam viáveis e saudáveis para si.


Acredito que para atingir resultados satisfatórios, o nutricionista, assim como outros profissionais de saúde, precisa deixar de lado determinadas posturas, como a gordofobia, os discursos de culpabilização e a imposição de metas irreais que, como já foi comprovado, dificultam todo o processo junto aos pacientes.


Algumas pessoas chegam a estranhar quando não peço para aferir seu peso logo na primeira consulta – afinal, é isso que se espera, não é? Mas, vamos imaginar uma pessoa que se sente pressionada a emagrecer (devido aos padrões estéticos impostos) e, por isso, sente incômodo com o próprio corpo. Pedir que essa pessoa suba numa balança, talvez seja um gatilho para um sofrimento, mesmo que seu peso não apresente alterações significativas.


Por essa razão, os atendimentos jamais são focados meramente no emagrecimento ou medidas corporais, mas sim em auxiliar o paciente a ressignificar sua concepção de saúde, sendo o peso apenas uma consequência das mudanças comportamentais.


Todo esse processo leva um tempo, que vai depender de cada caso e das metas definidas pelo paciente. Sim, o paciente vai definir quais metas deseja alcançar e, com um olhar mais técnico, eu o oriento sobre a viabilidade dessas metas e como elas podem ser otimizadas para que se tornem possíveis de serem alcançadas, para que tragam benefícios reais, e não se tornem mais um motivo para sofrimento. Assim, a primeira consulta é um momento de conhecer melhor o indivíduo, seus hábitos, suas crenças, entender as razões pelas quais me procurou e, ao identificar a necessidade de intervenções mais específicas, solicito o suporte dos demais profissionais da equipe multidisciplinar, como o psicólogo e o psiquiatra.


E, por falar nesses profissionais, friso o quão importante é o diálogo junto a eles, desde a discussão sobre os casos, até a tomada de decisões sobre qual o melhor caminho a seguir com cada paciente. Com o psiquiatra, podemos tomar como exemplo a relação dos medicamentos (principalmente os ansiolíticos) com o estímulo ou a inibição do apetite, um fator que vai impactar diretamente nos resultados nutricionais. Já com o psicólogo, as questões comportamentais e cognitivas podem ser discutidas para ajustar as estratégias adotadas para o acompanhamento nutricional.


Essa perspectiva de trabalho em conjunto é de grande valia para o paciente, mesmo que ele não perceba, pois, a construção de estratégias com visões técnicas diferentes e que conseguem conversar entre si, tende a abranger múltiplos níveis de cuidado e, assim, ser eficiente.

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